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11 janeiro 2011

O SISTEMA

Não foi apenas na estrutura econômica, onde o manufaturado deu lugar ao eletrônico, que um novo ritmo de produção teve que ser engendrado. A globalização da cultura e dos padrões de comportamento também acompanharam esse processo. Esse ‘pacote’ não veio acompanhado da liberdade de escolha que a propaganda continua a nos vender, mas como mercadorias pelas quais pagamos um alto preço.

Assim, nos tornamos ‘indivíduos’, possuidores de ‘direitos’ e ‘deveres’, sem noções mais profundas sobre o real significado dessas palavras. A capacidade de produção e de consumo passou a demarcar nosso espaço social, condicionando a atitude mental. Até nossos ‘ídolos’ tornaram-se artificiais.

A era da informação conseguiu trazer o mundo mais próximo, mas o desafio de criar uma aldeia global continua. A tecnologia e a mídia geram suficiente conteúdo para nos manter ocupados e entretidos, mas a imersão nesse caleidoscópio de imagens nem sempre é relevante ao nosso crescimento. O excesso de estímulos acaba por condicionar a mente a funcionar de forma passiva, reagindo impulsivamente às circunstâncias em vez de propriamente agir sobre elas.

Com as fronteiras éticas embaçadas, discernir ficou mais difícil. A contemplação, que antes proporcionava o exercício do raciocínio e estabelecia juízos de valor, foi substituída pela necessidade constante de externalizar. Passamos a temer a solidão, vivendo em uma cultura onde nos faltam referências maduras e apoio verdadeiro.

A compaixão, o suporte familiar e as amizades leais também se tornaram raras. Mesmo assim, vive-se a crença de que nunca antes vivemos tamanha liberdade e conquista de direitos, já que sistemas autocráticos deram lugar a uma única ideologia. Uma ideologia cuja fundação baseia-se exclusivamente no conhecimento material da existência.

Apesar do aparente progresso, a alma está insegura sobre o seu destino. A mente, sem controle dos sentimentos que gera; o intelecto, passivo aos imperativos das vontades. Apesar das aquisições materiais, o espírito sofre.

Trecho retirado do livro "O Ciclo do Tempo - A Índia e a Perspectiva de Renovação da História" de Simone Boger, Editora Brahma Kumaris.

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