29 dezembro 2009

TIPOGRAFIA COM SOTAQUE

(publicado em 29.12.09)

Por Edileno Capistrano



Sabemos que há uma maneira particular de falar que varia conforme o local. Dizem que nós baianos falamos arrastado; os pernambucanos têm uma entonação maior no “d” e no “t”; os cariocas exageram no “xiiisss” e os paulistas costumam pronunciar o “ê” e “ô” fechados. Essa maneira variada de falar no mesmo idioma é o que chamamos de sotaque.

Fazendo um paralelo com a tipografia é possível encontrar algumas produções que tiveram a intenção de representar cidades, estados ou regiões do nosso Brasil. A Sampa (http://new.myfonts.com/fonts/brtype/sampa/) de Gustavo Lassala é um dingbat que representa por meio de ícones a grande São Paulo, cidade que ao comemorar 450 anos ganhou de Luciano Cardinali a bela Paulisthania.

Aqui no nordeste temos o dingbat Zabumba (http://new.myfonts.com/fonts/t26/zabumba/), de Fátima Finizola que traz elementos da cultura nordestina e o Manguebats, de Bosco, Gustavo Gusmão, Buggy, Plinio Uchôa e Kboco que faz um registro iconográfico do Movimento Mangue Beat de Recife.

Na Bahia, embora tenhamos uma rica produção de tipografia que pode nos representar, vide o trabalho de Fernando PJ no site Tipos Populares do Brasil por exemplo, ainda sinto falta de uma tipografia voltada especificamente para esse fim. Quem sabe depois dessa provocação alguém se interesse em produzir uma tipografia “tipo baianês”. Já temos um dicionário. Falta a nossa tipografia com sotaque. Ó paí, ó!


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Edileno Capistrano Filho, soteropolitano, é graduando em Desenho Industrial, com ênfase em Programação Visual (Design Gráfico), pela UFBA. Atualmente trabalha como Designer Gráfico na Fundação Cultural do Estado da Bahia. A tipografia brasileira tem atraído a sua atenção ultimamente. Tímido, mas inquieto é mais ouvinte que falante. Gosta de curtir uma boa música, e arrisca tocar instrumentos de corda como o cavaquinho e o violão.

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