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23 agosto 2010

NÍVEIS DO ECODESIGN

(publicado em 23.08.10)

Por Geisa França

Mediante a situação do alto consumo, possibilidade de esgotamento das matérias primas, poluição, degradação da natureza, a temática do meio ambiente está cada vez mais presente nos escopos projetuais. E isso é bom.

A conscientização sobre os problemas ambientais levou à discussão de novas posturas sociais, novos comportamentos, à busca de novos serviços e produtos.

Inclusive, já conversamos um pouco sobre Design e Sustentabilidade no meu primeiro post aqui no Saiba Blog (Desafio da Sustentabilidade: Oportunidade para o Design Parte I e Parte II), falando um pouco sobre como a temática e as necessidades nela envolvidas podem tornar-se oportunidades para os designers fazerem o diferencial.

Sustentabilidade tem tudo a ver com ambiente e, de forma encadeada, com ecologia. Esta relação nos faz chegar ao termo ecodesign que é simples de compreender, pois é formado por palavras conhecidas. Porém, ao mesmo tempo é complexo por ser composto por duas palavras com significado muito abrangente e isto dificulta a delimitação da aplicação.

Os autores Manzini e Vezzoli (em seu Desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais EDUSP, 2002), explanam sobre ecodesign. Porém, eles delimitam o estudo ao campo de projetos em ecodesign mais voltados para produtos industriais. Entretanto, uma vez que focam no sistema, este recorte não limita a aplicação do que é fabricado. O conceito pode ser estendido além do produto, chegando à comunicação do mesmo para a sociedade, serviços relacionados a este produto etc.

Desta forma, segundo Manzini e Vezzoli (2002) são quatro os níveis de aplicação do ecodesign:

O Redesign ambiental do Existente:
Neste nível a mudança de projeto será mais técnica, focará na melhoria dos consumos energéticos do produto e em medidas que facilitem a reutilização ou reciclagem dos seus elementos. Socialmente falando, esta intervenção pode sensibilizar o consumidor a escolher produtos mais ecológicos, mediante outros de mesma função.

O projeto de novos produtos e serviços que substituam os atuais:
São produtos e serviços mais favoráveis ecologicamente em relação aos já existentes. Este nível pode ser mais facilmente aplicável do que o redesign, entretanto, depara-se com a barreira da aceitação deste novo produto pela sociedade, tem a ver um pouco com quebra de paradigmas, modos de pensar e agir. Apesar de haver um grande campo a ser inserido, ainda é pouco explorado.

O projeto de novos serviços intrinsecamente sustentáveis:
Aqui, verificando-se a demanda, o projeto foca em uma necessidade e em uma nova maneira de supri-la de forma que preze o meio ambiente, mas que seja também apreciada socialmente. É um risco para empresa e projetista de lançar algo que a sociedade ainda não conhece. Entretanto, se aceito os mentores vão fazer história, criando algo novo de tudo que já existiu.

A proposta de novos cenários que correspondam a estilos de vida sustentáveis:
Este é o nível mais complexo de aplicação do ecodesign, onde não é apreciada apenas modificações técnicas, ou de produção, sendo focado também cultural e comportamento. É proposta de mudança de estilo de vida e impacta nas esferas sociais, ambientais e econômicas. Focam nas pessoas, no ambiente e no lucro.

Atualmente, a maioria das intervenções de ecodesign abrange os dois primeiros níveis (redesign e novos produtos e serviços que substituam os atuais) e são importantes nas ações voltadas para a ecologia. Entretanto, nota-se que isoladamente não são suficientes para alcançar a sustentabilidade, ambientalmente falando.

Desta forma, esta procura por projetos que busquem não apenas o técnico, mas também o bem-estar e qualidade de vida e que reflitam mais fortemente na economia representam o quarto e mais avançado nível de aplicação do ecodesign. Inovação a todo vapor, é chamado de Design para a Sustentabilidade (Design for Sustentability).


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Geisa França é designer, formada em Design Gráfico pelo Centro Universitário Jorge Amado (UNIJORGE). Possui artigos publicados sobre Ergodesign, Ergonomia Informacional e Usabilidade. Atua na área de Design de Interface em Desenvolvimento de Software. É fascinada por cor, formas e novidades na área de projeto. @gesignn

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