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28 março 2011

ANALOGIAS, DIAGRAMAÇÃO E CAPOEIRA

Por Cátia Martins

Mas esse papo aqui não tinha que ser conversa para designer minha gente?? Quantos elementos nessa história!!!

Mas o papo é para designer sim! Para designer, para publicitário, para capoeirista, para gente! Gente que vive, que cresce, que aprende, que erra, que descobre, que tenta e que segue (para o alto e avante!). Gente que procura lições em tudo que vivência, que observa, que compartilha, e até, em tudo que sofre.

E aí, já te convenci a seguir adiante? Então vamos lá!

Escolhi um tema para esse post. Diagramação.

E como faz para falar de algo que não experimentou na prática? Como “defender” algo que você não tem conhecimento profundo? Abrindo um parêntese aqui, não sei se todo mundo sabe, mas sou publicitária, e no meu curso aprendi uma premissa: Para criar ou planejar uma campanha para um produto ou serviço, a primeira coisa que se tem a fazer é experimentá-lo e a partir daí, com conhecimento de causa, transmitir ao público-alvo sua essência, sua proposta.

Como assim?? Assim mesmo! Campanha de gelatina... Gelatina neles (povo da agência), de cachaça? Basta só experimentar um pouquinho né?(rs). Mantendo-me fiel a essa prática mesmo após minha saída da faculdade, na medida do possível, toda vez que me proponho a defender algo, procuro experimentar.

Então, para falar de diagramação... Não, não me arrisquei na nobre tarefa de diagramar nada, e antes que alguém diga, não tenho cacife para isso (levante a mão quem não pensou: esses publicitários...unf..unf.. acham que são designers...). Comecei a pesquisar sobre diagramação, conversei com o designer muito legal que conheço (ele até me indicou alguns livros), mas acabei por desistir desse caminho. Não tava rolando, não estava conseguindo amarrar as idéias.

Foi então que resolvi pegar outro atalho. Fazer analogias. A definição abaixo explica bem o que quero dizer:

Analogia é uma semelhança de relações entre dois objetos, semelhança que não se baseia em propriedades particulares ou em partes desses objetos, mas em relações recíprocas entre estas propriedades ou estas partes. (Harald Höffding, Le concept d’analogie, trad. Perrin, Vrin, Paris, 1931)

Pera que vai ficar mais claro. Quando resolvi optar por uma atividade física, escolhi a capoeira por que além de cuidar da minha saúde tinha o objetivo de trazer aspectos intrínsecos dessa luta, dança, esporte, arte (viu como é rica minha capoeira?) para a minha vida pessoal e principalmente profissional. Precisava ser mais firme, mais corajosa, ter respostas mais rápidas, ser mais estrategista, me acostumar com as rasteiras, aprender a cair e levantar rápido e me posicionar. Se você entra numa roda de capoeira e demonstra insegurança, seu oponente, mesmo que seja menos capacitado tecnicamente ou mais fraco vai perceber isso, ganhar ousadia e facilmente levará a melhor. Esse aprendizado (e muitos outros que podemos adquirir numa roda de capoeira) pode ser trazido e aplicado nas nossas vidas de uma forma geral, concorda?

E foi assim, buscando fazer uma analogia, que descobri o significado da palavra diagramar. Diagramar é viver ora! É acordar e ter um dia novinho em folha na sua frente para você distribuir os elementos da forma que você deseja. Da forma que mais lhe agrada visualmente, ou que é mais adequada ou que mais atende aos objetivos do momento. É decidir quem vai ficar onde, com quem, de que cor.

Quando vivemos (do verbo viver e não sobreviver), assumimos o posto de diagramador das nossas vidas. Página por página, somos nós que escolhemos a hierarquia, a legibilidade, o tipo. E hoje, em tempos de redes sociais, ainda escolhemos os meios onde vamos aplicar (rs). Diagramar é viver e o projeto gráfico nesse caso, a nossa própria vida.

Isso me faz lembrar uma famosa frase de Chaplin:

“O dia está na minha frente esperando para ser o que eu quiser. E aqui estou eu, o escultor (ou o designer! rs) que pode dar forma...”

E isso também me faz lembra como somos seres em plena construção. Projeto inacabado e sem prazo para conclusão... Mas, vamos que vamos, independente de sermos designers, publicitários ou capoeiristas, vamos jogando, diagramando e vivendo!

“Iê viva ao meu Deus, iê viva ao meu Deus Camará, iê a capoeira, iê a capoeira camará...


--


Cátia Martins, formada em Publicidade e Propaganda pela Ucsal e pós-graduada em Marketing pela UNIFACS, serva do Deus Todo Poderoso, capoeirista, colunista e aventureita nas horas vagas. @catiamartinss

6 comentários:

  1. Parabéns Catinha!! Adoro tudo que você escreve!! :D

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  2. rss Como designer editorial e diagramadora, aprovo a analogia!! Viver é diagramar mil e um projetos...

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  3. Toda prosa... toda prosa.. Obrigado pessoas!

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  4. Excelente texto catinha, sou meio suspeito para falar, mas parabéns! Vc cm publicitária tá me saindo uma maravilhosa designer! =D

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